segunda-feira, 2 de junho de 2014

Sudanesa condenada à morte por se tornar cristã será libertada da prisão

Mulher de 27 anos deve ser solta nos próximos dias.
Meriam Yahia Ibrahim Ishag chegou a dar à luz menina ainda na cadeia.


A sudanesa cristã de 27 anos condenada à morte por se converter ao cristianismo será libertada nos próximos dias, anunciou neste sábado (31) fontes das Relações Exteriores.
Meriam Yahia Ibrahim Ishag foi condenada à morte em 15 de maio em virtude da lei islâmica vigente no Sudão desde 1983, que proíbe as conversões religiosas.
"A mulher será libertada nos próximos dias, segundo os procedimentos legais que serão aplicados pelo poder judicial e o ministério da Justiça", declarou Abddullah Al Azraq, um subsecretário da chancelaria sudanesa, contatado por telefone em Londres, sem dar maiores explicações.
Também não se sabe se as acusações serão arquivadas.
Poucas horas antes, o primeiro-ministro britânico David Cameron havia falado com o governo sudanês que anulasse a pena de morte.
Em 19 de maio, o governo britânico convocou o encarregado de negócios sudanês em função dessa condenação.
Na última terça-feira (27), a sudanesa deu à luz um bebê na prisão. "Deu à luz uma menina", declarou à época o diplomata referindo-se a Meriam, filha de um muçulmano e condenada em meados de maio.
Condenação
A condenação à morte da jovem por um tribunal de Cartum no dia 15 de maio provocou uma onda de indignação. Segundo os militantes de direitos humanos, a jovem permanece detida na prisão para mulheres de Ondurman com seu primeiro filho de 20 meses.
"Demos três dias para abjurar de sua fé, mas você insistiu em não voltar ao Islã. Condeno-a à pena de morte na forca", declarou o juiz Abbas Mohamed al-Khalifa, dirigindo-se à mulher pelo sobrenome de seu pai, de confissão muçulmana.
Antes do veredicto, um chefe religioso muçulmano tentou convencê-la a voltar ao Islã, mas a mulher disse ao juiz: "Sou cristã e nunca cometi apostasia".
Meriam Yahia Ibrahim Ishag (seu nome cristão) também foi condenada a cem chibatadas por adultério.
Segundo a Anistia Internacional, Ishag foi criada no cristianismo ortodoxo, a religião de sua mãe, já que seu pai, muçulmano, esteve ausente durante sua infância. Posteriormente, a jovem se casou com um cristão do Sudão do Sul.
Segundo a interpretação sudanesa da sharia (lei islâmica), uma muçulmana não pode se casar com um não muçulmano.
Se a pena fosse aplicada, ela seria a primeira pessoa punida por apostasia em virtude do código penal de 1991, segundo o grupo de defesa da liberdade religiosa Christian Solidarity Worldwide
Fonte: g1.com

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